Pular para o conteúdo principal

NÃO É NÃO, até na escrita.

O gato preto oficialmente virou o editor-chefe do Vozes de Caneca, sentado numa poltrona vitoriana, julgando manuscritos e dizendo “não, meu amor, isso aqui não passa nem na portaria da Semiótica”.

Gente… olha… eu preciso compartilhar isso com vocês.

Eu estava procurando ideias pra escrita e vi essa imagem desse gato preto no Pinterest e, juro, eu senti como se ele tivesse me olhado nos olhos e dito:

“Mah… NÃO - É - NÃO.”

E eu pensei: pronto. Não é não na escrita.
A epifania felina do ano.

Porque esse gato não é só um gato, né? Ele tem aquela expressão de quem já revisou cinquenta textos antes do café esfriar e está completamente pronto para julgar o meu, o seu, o de qualquer pessoa que ousar escrever diálogo raso ou personagem sem alma.

E eu senti que ele estava me chamando:
“Minha filha… transforma isso em conteúdo. As pessoas precisam ouvir esses NÃOS. Por favor. Antes que eu vire pó de indignação.”

E eu obedeci. u.U
Porque quando um gato preto com uma caneca do Vozes de Caneca fala, a gente acata.

Então hoje eu trouxe aqui dez NÃOS homéricos, dez limites sagrados, dez tapas literários carinhosos, mas firmes, pra você que escreve, pra você que lê, pra você que tropeça numa narrativa e pensa: “será que isso era necessário?”

São coisas que, e eu digo isso com amor, com o dedo em modo mira laser:

NÃO —
PODE —
FAZER —
NA —
ESCRITA!!!

Três exclamações, sim.
Porque o gato exigiu.
E eu também, rs.

Agora vamos aos nãos, antes que ele me olhe torto de novo.

Dez situações indignosas, indignadas, "indignoéticas", ABSURDAS... 

Chega, né Maira, indignação tem limites também, tsc tsc tsc...

Confira.

(Imagina o gato batendo a patinha na mesa.)

🐾 10 “NÃO PODE FAZER NA ESCRITA!!!” COM A FÚRIA DO GATO, 

1. NÃO — PODE — COMEÇAR — DIÁLOGO — COM — “Oi, tudo bem?”!!!
O personagem não está em fila de banco. Joga esse início no fosso da criatividade.

2. NÃO — PODE — COLOCAR — MONÓLOGO — DE — CINCO — PÁGINAS — EXPLICANDO — O — PASSADO!!!
Flashback não é castigo, diz o gato.

3. NÃO — PODE — FAZER — PERSONAGEM — QUE — PARECE — UM — GOOGLE — WIKIPÉDIA!!!
O leitor não quer alguém que recite enciclopédia. Ele quer sangue, falha, mofo, poesia e saches de carninha (claro, claro).

4. NÃO — PODE — BOTAR — SUSPENSE — DEMAIS — ATÉ — MURCHAR!!!
Se enrolar muito, vira novelo que nem gato desenrola, perde a graça.

5. NÃO — PODE — MATAR — PERSONAGEM — SÓ — PRA — FAZER — DRAMA!!!
Mata, sim. Mas mata com propósito. Com crueldade comedida. Com vinho tinto do destino. Mata como G.R.R. Martin… não, pera. Aquilo lá foi chacina ritual.

6. NÃO — PODE — USAR — DESCRIÇÃO — GENÉRICA — TIPO — “ELA ERA LINDA”!!!
Linda como o quê? Como névoa cortando lua? Como pecado de veludo? Trabalha esse texto, preguiçoso!

7. NÃO — PODE — FAZER — VILÃO — MALVADO — POR — QUE — SIM!!!
“Eu sou mau porque acordei mau” NÃO.
"Camadas, camadas, camadas!!" igual lasanha emocional, diz o gato chefe.

8. NÃO — PODE — FAZER — NARRADOR — CANSADO — SEM — PERSONALIDADE!!!
Se o narrador estiver pálido de tédio, o leitor fica morto também e o gato dá as costas, 'fffsss'.

9. NÃO — PODE — EXPOR — SENTIMENTOS — COM — DIDÁTICA — DE — PROFESSOR — BRAVO!!!
“João ficou triste.”
O GATO DIZ: NÃO!!!
Mostra a tristeza, não entrega o boletim emocional pronto.

10. NÃO — PODE — FECHAR — A — HISTÓRIA — COM — DEUS — EX — MACHINA!!!
Se aparecer um raio divino resolvendo tudo… o gato vai te olhar com aquele desprezo ancestral dos felinos de Sirius. Aaaah!

Acho que consegui expor tudo com clareza e o editor-chefe gostou. Ronronou e virou de barriguinha pra cima, prrrr.

Agora senta lá, leia tudo o que você escreveu e analise como olhos de gato.


Aqui… as vozes nunca se calam.
E o café... nunca esfria.


Maira Macri
Vozes de Caneca 


Gostou deste texto?
Me siga minhas redes e caminhe comigo pelas próximas histórias:
— @mairamacri
— @vozesdecaneca

💀 Aceita Pix? Claro que sim.

Apoie o projeto Vozes de Caneca e me ajude a manter essas narrativas vivas:
📩 PIX: mairamacri@gmail.com


Quer ser avisado quando meus e-books forem lançados?

✒️ O #VozesDeCaneca é um projeto de estudo independente de escrita, narrativas e storytelling criado por Maira Macri.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A MENTIRA SABOROSA DO AMOR PLATÔNICO

P latão nunca viveu esse drama sofrido.  Para que um amor se tornasse platônico, o próprio Platão deve ter sofrido pra caramba  pela sacerdotisa Diotima de Mantinea ... Inocente eu... Como ele chegou a essa conclusão? Como ele percebeu e nomeou, esse amor escondido e não correspondido, de " platonismo "? Se bem que a terminação "ismo" é doença. Eu não a considero uma... Sou platônica. Demais por sinal... Carrego um mundo de ideias dentro de mim . Mas expôr esse amor envolve outros sentimentos como medo de ouvir um não, de ficar em segundo plano, medo de haver outras pessoas melhores que eu mesma, ainda que meu coração diga que a pessoa perfeita para estar ao lado desse amor seja, ninguém mais além de, mim mesma. Eu sempre fui conquistada. Conquistar são outros trinta... Orgulho besta quando ligamos e a pessoa diz "não vai dar" ou simplesmente não responde às sms... (Pq vcs homens não respondem as nossas sms? A gente fica esperendo >< ) Orgulho besta...

Estilo de Escrita Epistolar: Como Escrever Narrativas em Forma de Carta

Q uando a história vira carta e a carta memória. Caro leitor de caneca, senta aqui na borda do Vozes por um instante. Vou contar algo. Sempre que penso no estilo epistolar , sinto o cheiro de papel antigo, aquele envelhecido de carinho. Porque antes de estudar literatura, antes de saber o nome bonito desse estilo… eu vivi cartas. E hoje quero te contar, do meu jeito mairante, por que esse formato me atravessa a alma desde a infância e por que ele continua sendo um dos mais íntimos, emocionantes e humanos da escrita. Minha história com cartas: o início desse amor Eu comecei a escrever cartas muito cedo, bem criancinha ainda. Minha prima, minha melhor amiga da época, morava em São Paulo , e eu em São José do Rio Preto . Ela tinha cinco, seis anos. Eu, sete, oito. E como forma de nos falarmos, sem gastar o telefone, que era uma fortuna interurbano, nós escrevíamos cartinhas. E foi assim que descobri o poder da escrita (sem saber). A gente se escrevia todo mês. Cartinhas curtas, fofinhas...

Carta ao Corpo que Entrou em Modo Alerta

C aro leitor de caneca, Eu colapsei em dezembro. E não foi um colapso dramático, cinematográfico. Foi silencioso. Eu cansei. Não dava mais. Parei tudo. Fiquei dois meses sem escrever. Larguei o blog. Me afastei dos textos que mais amo, aqueles que me mantêm inteira. Mas deixa eu abrir meu coração pra você, leitor. Faz sete meses que minha mãe está de cama. Ela não anda. Foi perdendo gradualmente a força das pernas, como se fosse uma sarcopenia , bem comum em idoso. E, sem perceber direito, eu virei cuidadora vinte e quatro horas por dia. Levar comida. Dar remédio. Limpar xixi. Limpar cocô. Ajudar no banho. Ajudar a levantar. Ajudar a deitar. Cuidar da dor dela enquanto engolia a minha. Não tem pausa. Não tem folga. Não tem “depois eu vejo”.  E, principalmente:  não tem eu. E, em algum ponto desse processo, eu desapareci. Não posso e não podemos romantizar esse tipo de cuidado com os pais idosos. É difícil, principalmente sozinho. No com...