Sempre achei que fosse o desenho.
Errei. Errei, ambiguamente.
Todos a minha volta me incentivavam a fazer ilustração profissional.
Sabe, eu tive que aprender a criar histórias pra desenhar meus quadrinhos. E, erroneamente, foquei nos desenhos desde então.
Eu estava atuando como designer num estúdio com meu marido e me esquecera completamente das palavras... as palavras que borbulhavam minha mente e jorravam aos montes através de meus dedos.
Por que fui mexer...?
Mexi... caixas com cadernos, diários, folhas soltas... Lá encontrei contos, crônicas, mote de romances, pensamentos, reflexões, ensaios, epifanias... só epifanias da minha mente mairante, mairando avuada sempre.
Meu primeiro diário estava lá. Minha mãe me presenteou quando eu tinha 14 anos, percebendo sabiamente, claro, (coisas de mãe) que eu não conseguia expor tudo o que pensava. Eu repetira de ano no colégio, não compreendia matemática, e me demorava pra compreender os conteúdos das demais disciplinas. Chegava em casa e me perdia dentro das folhas de papel, desenhando. Fuga. De repente, o diário chegou e as palavras ganharam vida. Vozes sussurradas entre um desenho e outro.
Passou uma história na minha mente.
Consegui internet em casa em meados de 2008. Abri um blogger pra compartilhar meus desenhos e alguns pensamentos. Mas a maioria dos meus textos ficaram engavetadas, na sombra da minha vergonha de mostrar e serem ridículos. Rabiscos guardados em cadernos, arquivos de computador e textos nunca compartilhados. Os mais leves, eu fazia artigo. Mais tarde, renomeei o blog para Meu Dialogismo Imaginário Constante. Ele foi abrigo. Foi confessionário, laboratório, refúgio.
| Eu e minha cara orgulhosa xD |
Em 2011, quando ainda se acreditava que revistas moldavam o mundo e blogs eram diários com potência, vivi meu auge como blogueira: fui convidada pela revista Nova para discutir os desejos e dilemas das leitoras, ao lado de colegas blogueiras e da diretora Mônica Gailewitch.
| Finado Grupo Blogueria. |
| Estudos de perspectiva | Aula de Fotografia. |
Entrega de trabalho com colegas queridos. |
A lagarta cria asa. O eco vira grito. A escrita vira revoada.
E então... nasceu o blog Vozes de Caneca.
> Como o Nome Nasceu:
A Voz Vinda da Caneca
Tudo começou numa noite qualquer… Pós-expediente e eu ainda cheia de ideias pra colocar no papel. Mas o cansaço batia. Eu estava muito sonolenta, meio existindo por inércia e precisando derramar as palavras da mente.
Claro, com minha caneca de café sempre me acompanhando, e eu olhando pro vazio da parede à minha frente, nem a tela do PC me incomodava. Eu estava ali mas não estava. Tinha minha cabeça cheia, em vórtice de palavras; nada se concretizava. Parecia apenas um turbilhão de palavras borbulhantes, sem nexo.
Vazio.
Num súbito, inquieto e angustiante minuto, soltei minha cabeça pra descarregar a tensão desse vazio barulhento na minha mente, me curvei e enfiei minha cara na caneca, na minha mesa, ainda de café frio… Afundei meu rosto lá dentro… Sim... E gritei:
Aaaaargh… eu preciso de um nomeee!
Que nome esse novo blog teria?
O som bateu no fundo da caneca e ecoou pelas paredes...
Ecoou de um jeito estranho... Minha mente, atenta, nomeou aquele signo semiótico que entrara pelos meus ouvidos, multiplicado estranhamente pela própria caneca:
Vozes de Caneca? ....
Vozes de Caneca!!!
Corri pesquisar o nome no Google e nas redes sociais... Nada. Parecia um sinal. Ou melhor, uma convocação.
Vozes de Caneca foi parido assim:
De um turbilhão de ideias borbulhantes, sem nexo, bradado num lampejo inquieto e angustiante.
Mairante demais. Doido rs Mas depois eu comecei a analisar esse lampejo bradado, até então, sem querer. E nada parece sem querer. Parecia até que foi um movimento calculado por mim mesma, com resquícios de palavras e memorias no meu inconsciente, pra agir daquele jeito, enfiando a cara na caneca.
Por que o Vozes de Caneca?
Porque agora eu sou mais do que uma voz interior. Eu sou um café servido quente. Sou uma história contada com as mãos tremendo de emoção. Sou uma pessoa que decidiu ser escritora e abriu as cortinas da sua produção criativa. O Vozes de Caneca é o espaço onde tudo aquilo que me atravessa vai encontrar forma, cor, som e texto, como um bom artista faz, procura o meio pra traduzir os vórtices remoendo o peito.
Aqui, as vozes não se recolhem, como no antigo blog onde todo meu diálogo era dentro da minha mente, por isso o nome, Dialogismo Imaginário Constante. Minhas palavras e minha voz agora ecoam. Elas se derramam. Elas sussurram, cantam, gritam, narram, provocam... Borbulham.
O Que Você Vai Encontrar Por Aqui?
• Contos, romances Góticos, e outros estilos que estudo
• Bastidores da minha escrita e do meu processo criativo. Estudos sobre escrita narrativa.
• Reflexões filosóficas nascidas das minhas caminhadas pela cidade (minhas Filosofias de Calçada)
• Artigos sobre Semiótica, Design e outras narrativas mairantes
• Séries para escritores: técnicas, estilos de escrita, storytelling
• Meu diário de produção indie: podcast, game, loja criativa
• Textos sobre espiritualidade livre e consciência expandida
• E... claro… muito café.
O Vozes de Caneca é um ecossistema. O blog é só o começo.
Ao redor dele, orbitam outros planetas criativos.
Este é o começo de um novo ciclo da Maira Vanessa Macri, agora, oficialmente escritora mairante. Uma extensão de mim mesma, da minha voz, da minha caneca, das minhas sombras e das minhas luzes.
Se você gosta de literatura, de escrita, de filosofia de calçada, de espiritualidade livre, de jogos, de design, de storytelling, de gótico, de café e de devaneios...
Seja bem-vinda(o).
Sente-se.
Pegue sua caneca.
E… escute as vozes.
Porque aqui… as vozes nunca se calam, e o café... nunca esfria.
Com carinho, Mah =*
— Vozes de Caneca —