Um conto gótico em voz epistolar.
"Eu era apenas um viajante até encontrar-te...
Certa vez, tu caíste e te machucaste. Havia muito sangue e moscas vieram pousar, sentindo o ébrio cheiro férreo em tuas vias.
Fiquei fascinado com teu ser!
Mas eu estava com medo. Eu me encolhia no canto do armário. Não queria que ninguém me visse. Eu só queria viver a vida que o criador me dera. Não atacava ninguém, não precisava de nada. Só queria viver ali, invisível, observando-te.
E assim foi.
Não sei quanto tempo passou. E tu cresceste. E continuei fascinado com teu ser.
Eu queria dizer que... muitas vezes venho observar-te. Tens uma aura especialmente atrativa para seres como eu. Ela é alva e translúcida. Tem uma textura viscosa, boa para capturar energias ruidosas. A luz emitida é tão alva e incomoda os seres que repousam no escuro lodo pegajoso do esquecimento. Quando essa luz se acende, é capaz de alcançar até aqueles que estão a anos luz daqui, respeitando as leis da física...
Ou seja, uma hora, mesmo não tendo acendido a tua luz, em oração, na semana, há uma fila de espectros aguardando ansiosos para o próximo acender, atraídos pelo teu último luminescer.
Como eu disse, tua luz é tão alva que se vê de longe...
E... sabes o peso que sentes?
Então, esse peso, muitas vezes, é provocado por esses seres, empilhados na viscosidade da sua luz...
Inclusive eu..."
Processo de escrita
Esse texto aqui não é apenas um conto. É um micro-híbrido literário com perfume de prosa poética sombria, meio monólogo espectral, meio confissão sobrenatural. Uma peça gótica íntima.
E digo mais: Eu não escrevi só.
Não, não foi por IA. Foi muito diferente. Foi totalmente diferente... Eu senti a cabeça ferver e fui escrever. E ao pensar no texto, as palavras vinham em minha mente como mágica.
Acho que canalizei essa mensagem de algum transeunte do além-véu. O mundo dos espíritos.
Brincadeira rs
Mentira. Toda brincadeira tem um fundo de verdade.
A verdade?
Como sou apaixonada por estilos de escrita, eu me comprometi a explorar vários estilos pra estudar e treinar a voz narrativa. E esse conto foi um deles. Um fragmento de minha busca inquieta.
É tudo muito novo. Me sinto entrando em um corredor longo e antigo com uma vela em mãos. Vela, sim, não lanterna. A vela é sensível a qualquer tipo de vento forte e pode se apagar com movimentos bruscos. Já a lanterna é certeiro e seguro, tudo o que não sou no momento. Não domino a escrita. Ela é quem me tem.
Amo experimentar linguagens, brincar com estruturas, investigar ângulos onde a ficção se dobra e cria novas frestas. Sempre penso em coisas que eu mesmo gostaria de ler.
Aqui, escolhi a voz epistolar, a confissão espectral, o conto-poema, talvez pela minha paixão por Dracula de Bram Stoker, que recentemente eu soube que era um romance epistolar. Eu só conhecia o filme. Um dos meus favoritos. E imaginar que tudo aquilo é obra epistolar, explodiu minha mente.
Como assim?
Epistolar é um estilo de escrita que se apresenta na forma de cartas, bilhetes ou correspondências entre personagens ou pessoas reais.
O objetivo do Estilo Epistolar é proporcionar uma narrativa íntima e pessoal, permitindo que os leitores acessem os pensamentos, emoções e experiências dos personagens ou autores através de suas próprias palavras.
A linguagem no Estilo Epistolar varia conforme a voz e a personalidade de cada remetente. Pode ser formal ou informal, dependendo da relação entre os correspondentes e do contexto histórico ou social.
Trecho histórico:
Há muitos textos literários em que o autor brinca com trechos de narrativa epistolar no meio da narrativa direta, por exemplo, deixando a trama mais interessante.
O Estilo Epistolar tem origens antigas, segundo o que consegui pesquisar, remontando às cartas reais trocadas entre indivíduos ao longo da história. A carta mais antiga que minha mente alcança é a famosa de Pêro Vaz de Caminha.
Com o passar do tempo, escritores experimentaram combinações com outros estilos, incluindo entradas de diário, e-mails e mensagens de texto, adaptando o formato às evoluções tecnológicas e culturais. Na era digital, o estilo epistolar encontrou novas formas, como romances contados através de trocas de e-mails ou mensagens instantâneas, demonstrando sua adaptabilidade e relevância contínua.
E aqui, mantenho o blog Vozes de Caneca, atravessando o véu do tempo e modernizando a escrita epistolar, através do digital. Faz parte do meu estudo, da minha teimosia em experimentar as muitas máscaras da narrativa.
Venha sempre me visitar, leitor de caneca. Comigo vai sempre encontrar novas vozes, novos recortes, novas criaturas literárias que insistem em sussurrar no meu ouvido rs me trazendo vozes do além-véu.
Agora você conhece o Estilo de Narrativa Epistolar.
Quer mergulhar fundo e entender por que esse tipo de texto se chama “Estilo Epistolar”?
Escrevi um artigo só sobre isso, passa lá:
👉 Estilo de Escrita Epistolar: Como Escrever Narrativas em Forma de Carta
Gostou?
Estou preparando um E-book com dezenas de Estilos Narrativos. Não é um manual. É um convite pra atravessar essa porta mágica dos estilos de escrita. Enquanto eu estudo, eu aprendo, e quando eu compartilho, aprendo duas vezes mais =)
Breve estará pronto.
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Aah, quantas vozes saíram de minha caneca hoje.
Aqui, as vozes sussurram... Ssshh... e o café nunca esfria.
Maira Macri.
VOZES DE CANECA
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