Pular para o conteúdo principal

VOCÊ É TUDO O QUE SONHOU SER

Fernando Scherer disse:

"Na época em que eu nadava, eu vivia performance de competição, e era 'eu preciso ganhar para então eu me reconhecer, me validar, me amar através do olhar do outro sobre mim'. Então, eu ganhava, pra q vc me visse ganhando, vc me validasse ganhando, me amasse pq eu ganho, e eu aí eu me amo, me aceito e me reconheço através do que vc vê.

Só que cada vez que eu ganhava, era uma derrota, pq não tinha mais a competição, o seu olhar sobre mim, eu precisava de mais. O depois era vazio, eu não tinha mais nada, não tinha mais garantia, não tinha a validação, eu não tinha mais o seu amor… mas a realidade, eu não tinha em mim, por mim.

Quando eu paro de nadar, eu perco tudo isso.
E agora?

Como me validar? Quem eu sou?

Depressao, tristeza profunda, etc….

Enquanto durar a paixao, que dure a vida.

Está tudo errado. Eu fiz tudo o que eu quis. Realizei tudo o que quis. Não faz sentido não ter mais prazer pela vida.

Duas soluções: ou eu saio, tirando a minha vida, ou eu saio, indo atrás pra entender o que está acontecendo.

Fui estudar a mente humana.

Tudo são papeis passageiros que nos identificamos ao longo do caminho.

Ao passar do tempo, podemos perder o papel principal, e precisamos encontrar a paz dentro de nós, plenitude, unidade, a compreensao da dualidade em nós.

Você é 'ninguém' antes, 'ninguém' depois, mas no meio do caminho, vc acredita que é alguém. É aí que causa o sofrimento.

Tem o 'eu'… eu possuo este corpo, eu possuo esse carro, é minha casa, meu marido, meu filho, minha carreira, meus negócios, meu dinheiro… No fundo, nada é seu, e vc perde uma parte sua que estava conectada a isso. Dói a perda. Causa sofrimento, depressão, profunda. E ao investigar, percebemos que sempre fomos o ninguém, no inicio e no fim da jornada… e o meio é o ninguém brincando de ser alguém.

Viver.

O ser 'ninguem' estando humano, se tornando ser humano. Já somos o ser. mas nos esquecemos, levamos a serio, nos culpamos, sofremos, se pune, sente vergonha, medo, se poda, reclama e sofre durante a jornada inteira, querendo ser algo diferente daquilo que vc já é. Qdo vc termina a busca é sua auto realização do que vc nao tinha o que buscar. Vc já é tudo aquilo que sonha em ser. A busca encerra e a mente silencia, porque a mente não quer sair de onde ela está; ela não quer mais estar em outro lugar, a mente nao busca mais um aspecto que te falta, porque vc já está completo em si mesmo, por simplesmente 'ser'.
O resultado disso tudo nao muda mais a minha percepção sobre mim mesmo. A tua visão sobre mim nao muda minha visão de como eu me vejo.

Sintese: depressao profunda de eu nao ter mais alicerce nenhum da identidade que me sustentava. Não sou mais nadador. Quem sou?

A morte do 'eu' é a auto realizacao de perceber que, nem este sou eu, sao papeis.

[Trecho de texto transcrito do podcast do Fernando Scherer no Paranormal Experience]

Eu, Maira, pegando carona, mairando esse tema.

Por que eu preciso me validar na visão do outro?

No meu caso, foi ao contrário.
Por causa de um TDAH infantil, me validaram de burra e eu aceitei por 33 anos aquela identidade, ao ponto de, numa conversa despretensiosa sobre filmes, a pessoa vira pra mim e diz: — Não assista esse filme, você não vai entender.

Essa frase foi meu ponto alpha [ao contrário do ponto ômega], pois foi o grande inicio dos meus questionamentos.

Antes eu vivia na sombra do eco do que as pessoas falavam sobre mim e eu aceitava. Chegou um ponto em que eu não me identifiquei com aquele eco e fui questionar de onde vinha.

Então, começou a minha desconstrução, tirei as mascaras e as camadas pra eu me ver como realmente sou.

E no final de toda essa busca descobri que eu já era tudo aquilo que eu queria ser.

Exatamente assim:

"E ao investigar, percebemos que sempre fomos o ninguém, no inicio e no fim da jornada… e o meio é o 'ninguém' vivendo, chorando, se culpando, sofrendo, se punindo, com vergonha, medo, se podando, reclamando e sofrendo durante a jornada inteira, querendo ser algo diferente daquilo que se é. Qdo vc termina a busca, é sua auto realização do que vc não tinha o que buscar. Vc já é tudo aquilo que sonha em ser. A busca encerra e a mente silencia, porque a mente não quer sair de onde ela está; ela não quer mais estar em outro lugar, a mente não busca mais um aspecto que te falta, porque vc já está completo em si mesmo, por simplesmente 'ser'. "

Estado de presença. Estado de estar no presente.

O desabrochar...

Sofremos ao ser semente, rompendo as paredes da semente.

Depois sofremos rompendo as camadas de terra em volta e acima de nós até que finalmente chegamos na superfície.

E bate o cansaço, pois agora temos que crescer… suportar ventos fortes e pragas de todos os jeitos que tentam te podar.

Quando finalmente chegamos no topo, desabrochados, pensamos:

— Olha, que legal. E agora o que tem pra fazer? Morrer?

Não, vem a auto análise de tudo o que vc passou, que era somente monstros na tua mente.

Vc é e sempre foi a flor. Só não percebia pois não tinha a visão de comparação.

Nessa auto reflexão, do alto, do topo da "copa" da flor, eu vi as linhas das minhas decisões e os caminhos que tomei.

Eu aceitei muitas visões de outras pessoas. Me validei em cada uma delas, por não ter segurança ou certeza, afinal, de onde eu estava, eu não consegui me ver por inteiro pra ter certeza do que eu era.

Que bobagem.

A certeza vem de dentro. E por que era difícil olhar para aquela certeza e aceitá-la?

O sabotador pesando sobre mim era mais forte.

Padrões. Infelizmente eu vivia dentro dos padrões das pessoas que estavam ao meu redor. Eu achava que era melhor largar o difícil, abaixar a cabeça e aceitar o pouco onde eu estava, por padrão.

Mas o mesmo sabotador vem com tudo, dando voadora em mim, dizendo que é tarde, que estou velha.

Eu simplesmente desvio. NÃO VOU ADMITIR um sabotador me podar, como sempre podou.

Sinapses neurais. Os caminhos que meus neurônios estão acostumados a pisotear por 46 anos.

Eu DIGO NÃO.

Agora, eu determino as novas sinapses, as novas conexões.

Não quero envelhecer me lamentando por não ter batalhado pelos meus sonhos.

Estou há 1 anos nesse novo caminho.

EU JÁ SOU TUDO AQUILO QUE EU SEMPRE QUIS SER.

Agora é pra valer. E eu me valho e me valido.

Maira Vanessa Macri.

.

.

Obrigada por ler! 

Se inscreva gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.




Porque aqui, as vozes nunca calam e o café nunca esfria.

MAIRA MACRI
Vozes de Caneca
 


Gostou deste texto?

Me siga minhas redes e caminhe comigo pelas próximas histórias:
@mairamacri
@vozesdecaneca

💀 Aceita Pix? Claro que sim.

Apoie o projeto Vozes de Caneca e me ajude a manter essas narrativas vivas:
📩 PIX: mairamacri@gmail.com

Quer ser avisado quando meus e-books forem lançados?

✒️ O #VozesDeCaneca é um projeto independente de escrita, narrativas e storytelling criado por Maira Macri.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A MENTIRA SABOROSA DO AMOR PLATÔNICO

P latão nunca viveu esse drama sofrido.  Para que um amor se tornasse platônico, o próprio Platão deve ter sofrido pra caramba  pela sacerdotisa Diotima de Mantinea ... Inocente eu... Como ele chegou a essa conclusão? Como ele percebeu e nomeou, esse amor escondido e não correspondido, de " platonismo "? Se bem que a terminação "ismo" é doença. Eu não a considero uma... Sou platônica. Demais por sinal... Carrego um mundo de ideias dentro de mim . Mas expôr esse amor envolve outros sentimentos como medo de ouvir um não, de ficar em segundo plano, medo de haver outras pessoas melhores que eu mesma, ainda que meu coração diga que a pessoa perfeita para estar ao lado desse amor seja, ninguém mais além de, mim mesma. Eu sempre fui conquistada. Conquistar são outros trinta... Orgulho besta quando ligamos e a pessoa diz "não vai dar" ou simplesmente não responde às sms... (Pq vcs homens não respondem as nossas sms? A gente fica esperendo >< ) Orgulho besta...

Por Que os Blogs Nunca Morrem?

Um Manifesto Contra o Consumo de Conteúdos em 24h. Quem decretou a morte do blog? Quem espalhou esse boato? Esse epitáfio falso? Essa lápide digital sem corpo? Sério! O blog nunca morreu. Ele só tirou férias do barulho . Se escondeu nas entrelinhas. Ficou quieto... Observando. O blog é Corpo Invisível na web . É verdade crua, linda e inquestionável. Tá, às vezes... O blog é a espinha dorsal da internet que sustenta tudo o que você vê quando faz uma busca no Google. Jura? Aposto que não sabia. Nem eu. Eu fui estudar pra saber. Quem entrega texto? Quem entrega contexto? Quem entrega solução? De onde vem todo o conhecimento do Google? Quem alimenta o algoritmo de busca com palavras-chave , com respostas de verdade, com conteúdo que não some em 24 horas? O Blog. (Oohh em coro) O blog é a Feira Livre da Internet . E aqui, eu faço uma Metáfora da Fruta Estrela , com todo respeito, Eric Barone . Por anos, a internet era uma feira livre. Cada barraca era um blog. Cada voz tinha sua própria b...

Estilo de Escrita Epistolar: Como Escrever Narrativas em Forma de Carta

Q uando a história vira carta e a carta memória. Caro leitor de caneca, senta aqui na borda do Vozes por um instante. Vou contar algo. Sempre que penso no estilo epistolar , sinto o cheiro de papel antigo, aquele envelhecido de carinho. Porque antes de estudar literatura, antes de saber o nome bonito desse estilo… eu vivi cartas. E hoje quero te contar, do meu jeito mairante, por que esse formato me atravessa a alma desde a infância e por que ele continua sendo um dos mais íntimos, emocionantes e humanos da escrita. Minha história com cartas: o início desse amor Eu comecei a escrever cartas muito cedo, bem criancinha ainda. Minha prima, minha melhor amiga da época, morava em São Paulo , e eu em São José do Rio Preto . Ela tinha cinco, seis anos. Eu, sete, oito. E como forma de nos falarmos, sem gastar o telefone, que era uma fortuna interurbano, nós escrevíamos cartinhas. E foi assim que descobri o poder da escrita (sem saber). A gente se escrevia todo mês. Cartinhas curtas, fofinhas...